O marketing de influência segue ganhando espaço no planejamento das marcas, mas com uma mudança clara de prioridade: investimento maior, cobrança maior por resultado. A pauta deixou de ser tratada só pela equipe de digital e passou a chegar à diretoria dos anunciantes, pressionando o setor por relatórios mais sólidos e critérios mais objetivos.
Verba cresce, cobrança também
A pesquisa ROI & Influência, em sua sétima edição, indica amadurecimento do mercado brasileiro. Segundo a leitura da YouPix, esse avanço faz as empresas levarem a estratégia para decisões de negócio, e não apenas para ações de comunicação.
Na prática, isso empurra marcas e agências a justificar investimento com métricas mais consistentes. O foco deixa de ser só alcance ou presença de criadores e passa a incluir indicadores capazes de sustentar a conversa com a liderança.
Brindes e envios de produto entram no orçamento
Executivos ouvidos no levantamento apontam aumento de recursos destinados a influenciadores no último ciclo e também reservas maiores para o futuro. Entre os itens que mais cresceram estão brindes e envio de produtos, tanto em verbas menores quanto nas acima de R$ 1,5 milhão.
Esse movimento acompanha a expansão de estratégias como programas de afiliados e conteúdos centrados no uso do produto, que ganharam espaço dentro das campanhas.
Conar reforça transparência
O Conar atualizou em junho o guia de publicidade com influenciadores para incluir afiliados, permutas e conteúdo gerado por usuários. As diretrizes exigem mais clareza na identificação de vínculos comerciais, mesmo quando não há contrato formal de controle editorial.
O objetivo é reduzir ruído para o consumidor e forçar marcas, agências e criadores a alinharem remuneração, critérios de conformidade e sinalização comercial com mais precisão.
Economia dos criadores segue em alta
A expansão acompanha projeções globais de forte crescimento da creator economy. O Goldman Sachs estima que esse mercado possa movimentar cerca de US$ 480 bilhões até 2027.
No Brasil, dados da Oxford Economics divulgados em 2025 apontam que o ecossistema do YouTube adicionou mais de R$ 6 bilhões ao PIB brasileiro no ano anterior, com impacto direto e indireto no emprego.
Ao mesmo tempo, o avanço das distribuições de produto levanta alerta sobre modelos de acordo que podem não envolver pagamento financeiro direto, mas apenas envio de itens e logística. A discussão sobre remuneração e transparência deve ganhar mais peso à medida que os programas de afiliados se consolidam.
